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Ciclista cearense é segundo no ranking nacional e sonha com seleção

Empreendedorismo 05 de outubro de 2016

Uma das cenas mais emblemáticas do cinema é a do filme ET – O Extraterrestre, de 1982. Aquela em que o garoto Elliott e o alienígena voam numa bicicleta. Pois é.

Quem é Gilberto Silva?

Se a vida fosse um filme, o Ceará poderia contar com um representante que também está voando na bike. Gilberto Silva, de 33 anos, é vice-líder do campeonato cearense, segundo no ranking nacional de ciclismo na categoria Elite e sonha com seleção brasileira. De Maracanaú, ele também é paratleta e tem o apoio da esposa e dos dois filhos.
Logo após o nascimento, Gilberto teve paralisia infantil. Com isso, precisou se submeter a diversas cirurgias, acarretando desnível entre as pernas. Na época, mal podia correr, nem andar longas distâncias.

Aos 10 anos, ganhou uma bicicleta da avó materna e a vida fez uma curva que transformou a vida dele.
“A minha perna passou a se desenvolver. Com o exercício de pedalar comecei até a correr.”– relembrou Gilberto.
A partir daí, a amizade com a magrela se fortaleceu. Ele usava a bike apenas como lazer, mas em 2003, através do convite de um amigo, começou a treinar. No filme, Elliot usava um capuz, mas Gilberto passou a usar capacete.

A bicicleta já não era somente para diversão, virou ferramenta de competição e o meio para voar mais alto, como o garoto e o amigo ET.
“Eu pedalava muito a passeio e nunca havia competido. Estava precisando ocupar minha mente com o esporte. Recebi o convite de um amigo que pedalava e vi no treino que dava pra coisa. Foi aí que comecei a pedalar e a competir como profissional – explicou o atleta que também compete na categoria C5 do paraciclismo.”
Aos 20 anos, ainda jovem começou a se destacar em competições locais e logo chamou atenção na empresa onde trabalha. Lá, iniciou como cortador de arame e hoje é motorista. Mas além do emprego, veio também o patrocínio que propiciou a participação do ciclista em competições pelo Brasil.

Assim, os títulos começaram a aparecer. São mais de 150 pódios. Entre eles, 10 títulos de Campeão Cearense de Mountain Bike Elite, vice-campeão no ranking nacional de Mountain Bike Elite, bicampeonato Norte e Nordeste, quatro medalhas em Copa Brasil de Paraciclismo, bronze no Brasileiro de Pista de Paraciclismo e, assim, a bicicleta continua voando.

Um dos nomes fortes no ciclismo brasileiro, Gilberto tem apoio da família. Casado, filhos e esposa colaboram para que a crescente na carreira seja constante.

“Minha esposa contribui muito pra me ajudar. Ela me ajuda na alimentação, me incentiva…. Tenho dois filhos: a Gabriele, de dois anos, e o Gilberto Filho, de 10, que se inspira muito em mim. Seguro as rédeas porque ele ainda é muito novo para treinar.

Ele é afoito, já quer rodar, fazer o que faço. Mas eu o vejo como promessa, um futuro campeão.” disse o Gilberto pai e marido, com orgulho.
A magrela está em todos os âmbitos da vida do cearense. Ao contrário de Elliot, que usou a bicicleta para salvar o amigo ET numa das fugas mais famosas do cinema, Gilberto mantém os pneus bem no chão para se locomover pela cidade.

Além disso, chega a treinar 5 horas por dia e a pedalar 500 a 700 quilômetros semanalmente. Mas para trilhar a dura rotina de treinos, o cearense tem em quem se espelhar.

– Eu me inspiro no americano Lance Amstrong. Apesar dos dopings, ele venceu o câncer duas vezes e não deixa de ser admirável. Além disso, me inspiro no meu treinador, Maurício Leão, de 43 anos. Tudo que aprendi foi com ele – disse o ciclista.

Guiar uma bicicleta, lidar com velocidade, pedalar, desafio, vencer. A tarefa solitária de competir, nem sempre a favor do vento, faz Gilberto ter a companhia de todos os sonhos em cada pedalada.

O esporte transformou a vida do atleta que não mede esforços para ir mais alto e sonha em voltar pra casa, como o personagem do filme, mas com vaga na seleção brasileira.
– Estou focado em concluir meu objetivo que é tentar ficar entre os três melhores.

Graças a Deus estou em segundo. E quero vencer o campeonato cearense. Além disso, vencer as etapas de paraciclismo e tentar brigar por vaga na seleção brasileira de paraciclismo e competir internacionalmente – concluiu.

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